20 de novembro de 2014

Ao dobrar uma esquina entro numa avenida ladeada por grandes árvores. Tenho o sol à minha frente, o sol de inverno que olho diretamente através das copas completamente despidas. Caminho lentamente, fumo um cigarro. A avenida vai dar a uma praça com um jardim e uma escultura no centro. Sento-me num banco e escrevo, o autocarro que devia apanhar passa. Está um pequeno pássaro pousado num ramo, possivelmente um pardal. Entre nós, por muito que force a imaginação, nunca haverá intimidade. Tal como não há entre mim e as pessoas com quem me cruzo e troco algumas palavras. Daqui a pouco apanho o comboio. Há em mim uma dor imprecisa e uma alegria vaga. Ao fundo, um céu azul, com que me debato numa bifurcação interminável.