9 de janeiro de 2016

de 1993 até por volta de 2001, mantive uma correspondência mais ou menor regular com um amigo. com picos de maior e menor assiduidade, cada uma das cartas que trocámos teve uma importância extraordinária para mim, acabando mesmo por vir a constituir uma parte crucial da minha história pessoal e da minha identidade, da minha linguagem. numa dessas cartas, dizia o meu amigo que escrever uma carta era ter uma conversa sem a pressão do face a face. sinto muitas vezes falta disto. a minha utopia seria ter uma conversa com muitas pausas, muita respiração, muito silêncio, muito espaço, uma negação ativa das expressões onde pudéssemos esconder-nos. uma confiança - e um cuidado - totais. mesmo sem esperança de nos entendermos.